O Amor venceu a imoralidade do aborto



Por um breve momento pensei em como me posicionar diante da agenda abortista que o nosso país está trilhando. Poderia citar fontes e fontes, teorizar sobre o aborto, comentar versículos e passagens bíblicas, mas no momento acredito que nada disso expressaria o pesar que sinto. Não invalido quem está a lutar contra o aborto mostrando projeções econômicas e sociais, nem quem testemunha com a vida e os ensinamentos sagrados os projetos de Deus que cria, sustenta e valoriza a vida em todas as circunstâncias. Agora, sou eu, minha história, o computador e inúmeras vidas.

Como muitos eu não fui pensado, planejado e antes de tudo amado pelos meus pais. Não houve uma preparação para que eu chegasse ao mundo e pudesse sonhar. Fui uma surpresa, um acaso, ou como até então compreendido uma falha do anticoncepcional. Paro para olhar para trás e vejo quantos desafios a vida me presenteou antes mesmo que eu me compreendesse como criatura. Havia uma força a me impulsionar, e hoje não tenho dúvidas: a força do Amor soprou seu hálito de vida e me fez corpo, me fez homem, me fez amado e vocacionado para o amor.

Há quem pense que tudo até então não passa de teorias, emocionalismos e utopias, mas posso afirmar com propriedade que a realidade do aborto foi para mim uma realidade vencida. Vencida não com minhas próprias forças, pois era tão frágil. Mas os projetos do Criador não poderiam ser vencidos por substâncias, por pensamentos, por vontades irresponsáveis ou até mesmo imaturidade de um ato. É fácil falar de aborto quando já se teve a oportunidade de experimentar da vida. Hoje, vejo que muitos aceitam o aborto por medo de serem substituídos, medo de através do outro descobrir a verdade sobre si. Em um país dito cristão como o Brasil, a inércia destes que muitas vezes buscam seguir a teologia da prosperidade se prendem ao materialismo e a situações momentâneas da vida terrena. Esquecem-se da dimensão fecunda do amor e de que o Céu é a morada eterna para os eleitos. Lamentável.

Nas vidas abortadas vejo a imagem do Cristo a se desfigurar na Cruz. Um ato violento que o fez ser árvore da vida, mas que em clínicas clandestinas e nos atos corriqueiros de um método contraceptivo os pobres inocentes são mortos, ou melhor, pensa-se serem eles os alvos, mais na verdade morrem interiormente todos que estão a pactuar com este ato. Onde encontrar paz nestes corações perversos? Onde encontrar sentido de vida e felicidade nestes semblantes?

Pensa-se no aborto como meio facilitado de evitar problemas futuros. Seria a vida um problema? Se sim, então nós seríamos o problema! Nossas convicções mesquinhas, nosso ego, nosso materialismo... Quando não estamos disponíveis para o amor e sua manifestação na geração da vida é um problema. Um infeliz problema.

Hoje, após quase 21 anos que o Amor venceu toda a imoralidade do aborto posso dizer: desde o princípio fui amado por um amor que excedia o amor humano. Um amor que foi capaz de me dar tudo aquilo que meus pais não foram capazes. Um amor que selou em meu coração a paz, a alegria e a vocação protagonista. Um amor que me fez livre para buscá-lo no exercício da razão, na manifestação da natureza criada, em uma criança que padece.

Hoje, pensa-se em abortar um conjunto de células, um bonequinho, um indigente, como muitos se referem. Mais ali há vida, há esperança de um futuro melhor. Hoje são eles e amanhã aborta-se crianças que se sentirão órfãs de pais vivos. Depois adolescentes que não saberão a beleza desta fase e se perderão em si mesmos. Em seguida os jovens, alvo de grandes abortos sociais. Não há estudo, não há emprego, não há credibilidade. Mais tarde os adultos e por último os idosos, “a memória de um povo, a história viva da fé presente em nosso meio”, parafraseando os escritos de Papa Francisco sobre a cultura do descartável.

Hoje sou missionário, técnico, universitário e com inúmeros sonhos e desejos de se feliz na vontade do Amor. E você, qual a sua história? Se também o Amor venceu o aborto para que pudesses realizar os sonhos mais lindos, por que aceitas o aborto? Já se imaginou sendo abortado? Se há em seu coração o sentimento de exclusão pelos desafios que estás a viver, não deverias tu ser protagonista de uma história de esperança ao invés de levantar bandeiras da cultura da morte?

Na verdade, os frágeis somos todos nós que no fundo temos medo do aborto que podemos sofrer em alguma fase da vida. Diante da minha história, do que sou e da liberdade que a mim foi conferida eu escolho a melhor parte. Eu escolho a vida!

Jesus, misericórdia!

Por GC Bruno Lucena, FSVA

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