• Emanuelle Oliveira

"Será que a paz e mesmo a felicidade seriam compatíveis com os sofrimentos mais vivos?"


Contempla por um instante esta imagem ao lado... Escolhi usar ela em preto e branco porque me pareceu exprimir mais profundidade. Convido você então a pensar um pouco sobre a vida da Virgem Maria e dos Santos.


Tenho lido um livro chamado "A mulher cristã e o sofrimento" e tem sido um grande presente, especialmente nesse tempo, onde, perdoe-me a expressão, mas desde já me incluo, estamos tão melindrosos.


"Será que a paz e mesmo a felicidade seriam compatíveis com os sofrimentos mais vivos?"... Acho que essa é uma grande pergunta para esse tempo. E desde já, tenho a certeza de que a resposta é sim, e sempre será sim.


O autor do livro levanta essa questão para nos levar a refletir alguns aspectos da vida de Nossa Senhora. Ele afirma: "A vida de Maria foi, pois, uma longa série de provações. E, entretanto, por uma dessas anomalias que o Evangelho nos tornou familiares, ela superabunda em alegria no meio de suas tribulações". Ah! Pode tamanha contradição? Nós que estamos tão acostumados a tendência da felicidade, dos prazeres e das alegrias inesgotáveis.


Na Anunciação, que belo é contemplar o anúncio do anjo Gabriel... "O anjo entrou onde ela estava e disse: 'Alegra-te, cheia de graça!- O Senhor está contigo'”. Lc 1,28. Pode imaginar quão grande alegria aquele momento trouxe ao coração de Maria, ainda que sem compreender todo o mistério e mesmo diante das inseguranças que podiam assolar seu coração...? Essa mesma mãe, ao sepultar seu Filho Amado, deixa ali também sepultado com Jesus o seu próprio coração, é o que nos faz refletir Santo Afonso, e diante do sepulcro, parece dizer: "Ó vós que passeis pelo caminho, olhai e vede se há dor comparável à minha!".


É sempre muito edificante, ainda que brevemente contemplar a vida de Maria, contemplar suas dores, mas também suas alegrias... E diante disso, refletimos: "vede a Virgem Maria: ela foi completamente pura e completamente bela, imaculada em sua concepção, imaculada em sua vida. Se, apesar dessa inocência perfeita, apesar de seu título augusto de Mãe do Salvador, Deus não a poupou, porque quereis que Ele nos poupe, a nós que não podemos valer os mesmos privilégios?"


Olhemos um pouco mais a imagem do início do texto, que grande beleza, Maria, representada ali tão singelamente, está rodeada pelos santos São João Bosco, São Felipe Néri, São João XXIII, pela beata Laura Vicuña... E se você conhece o mínimo que seja da vida de algum deles, sabe que o sofrimento e a alegria caminharam sempre juntos. Quer maior testemunho que a alegria que transmitia São João Bosco aos seus queridos Salesianos ainda que enfrentando tantos desafios, ou o grande legado do "Papa bom"... E mais uma vez, se diante disso, o sofrimento é então um mal, Deus não pouparia seus melhores amigos, àqueles que o "amam com mais ardor e o servem com mais felicidade?", questiona o padre Henri Morice.


De fato, muito mais prazeroso e agradável seria passar por essa vida sem sofrimento algum. Mas se nossa fé nos ensina a confiar na Providência Divina, aceitando de bom grado àquilo que recebemos, aprendendo em cada uma dessas situações a crescer no amor, porque então insistir em ver nisso que vivemos agora, apenas o lado da dor?


Somos o carisma da ALEGRIA! Quem é auxilia e não se anima de longe ao ouvir nosso bordão "Alegria, alegria!"... Quem é auxilia e não se lembra dos perrengues do Corujão e de como mesmo entre algumas lágrimas, lembrávamos de enxugá-las e sorrir, afinal era tudo pelos jovens! Se a alegria é uma das grandes graças que o carisma nos convida, que nossos baluartes nos ensinam, que a Virgem Maria nos educa... Precisamos hoje, neste tempo, tirar um sorriso de alguém, fazer aquele post que vai alegrar o coração de um amigo, mandar uma mensagem de apoio ou mesmo escutar quem precisa. "Eu me movimento por um mundo melhor" com ou sem pandemia... Hoje, eu escolho, mesmo diante do medo, da insegurança, das incertezas, me lembrar que "Alegria, alegria, Somos Auxilia!"


Se chegou até aqui, rs, quero só deixar esse trecho do livro, para te motivar:


"Deus serve-se às vezes de um meio análogo para manter-nos em sua graça. Se Ele nos deixasse com boa saúde, no bem-estar e na abundância de todas as coisas, ser-nos-ia difícil talvez resistir à atração do prazer; mas Ele nos carrega de preocupações, de cuidados, de trabalhos para nos absorver e nos impedir de pensar no mal. Levando em conta nossas forças, Ele exercita a uns pela tentação e lhes dá, assim, ocasião de adquirir méritos excepcionais. Poupa a outros; e, em vez de tentações perigosas para eles, envia-lhes a enfermidade e o sofrimento."


Tudo passa, nos abandonemos alegremente nos braços da Virgem Auxiliadora, auxilio dos cristãos!


Com carinho, Manu <3

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