Porque me tornei uma católica não-confessional



Acho que todos já passaram pela situação de conhecer pessoas – muitas vezes legais e de bom coração – que não compartilhavam da mesma fé que nós, e isso, em algum momento, gerar conflitos. Outras vezes são também católicos nossos amigos, mas não tão católicos a ponto de seguir os ensinamentos da Igreja, e isso também, em algum momento, desencadeou pequenas discussões e indignações de nossa parte.

Assim como eu, acredito que você passe por vivências deste tipo quase diariamente. E qual a sua reação? O que você costuma fazer?

Pare de ler este texto por um momento e reflita.

Se sabemos que “fora da Igreja não há salvação” e que perto de Jesus nos tornamos pessoas muito melhores, é quase instintivo querermos que outros se aproximem desse mesmo Deus que tanto nos transformou. Você já tentou falar dos seus valores para as pessoas? Quais foram as reações? Provavelmente não deram ouvidos, te acharam retrógrado(a), bitolado(a), e em muitos casos deixaram de conversar com você sobre assuntos mais íntimos e que você poderia voltar a dar “sua opinião”.

Pare de ler este texto de novo por um momentinho e volte a pensar sobre como você falou para as pessoas dos seus valores.

Eu sempre fui uma católica abertamente católica. Devido ao meu temperamento colérico e à minha formação catequética, nunca deixei de falar o que pensava por respeitos humanos. Que se danem se me achassem chata, intrometida, inconveniente: eu queria mesmo era falar a Verdade! Nas redes sociais, postava textos, imagens, vídeos e testemunhos explicitamente católicos. Em sala de aula, se preciso fosse eu discutia com meus colegas e professores. Por várias vezes levantei e fui embora da aula quando não concordava com o assunto e não podia expor minha opinião. Com minha família por várias vezes eu discuti e acusei-os de não cumprir o que a doutrina pregava. Afastei muitos amigos, aproximei alguns. Fui, aos poucos, adquirindo fama de ser fechada, “muito católica”, conservadora. Muitos tinham medo de conversar comigo e receber algum conselho conservador não solicitado. Sabe aquela história de que não podemos perder nenhuma oportunidade de evangelização? Pois é, eu realmente levei isso a sério!

Minha vida espiritual era autêntica. Missa diária, confissão frequente, terço diário. Ok, mas eu ainda não conseguia atingir totalmente os que estavam ao meu redor. Parecia que havia um muro: eu e os que pensavam como eu – os “bons” católicos – e os outros, os errados, os perdidos. Vai dizer que você não olha para sua colega de faculdade que sai com vários caras e não acha ela perdida? Vai dizer que você não olha para sua colega ultra-feminista, ou para seu professor que defende o aborto, por exemplo, e não os vê como errados?

O saldo final de toda esta história é que percebi que eu realmente estava apartada da sociedade. Tinha alguma coisa de errado: seria comigo ou com eles? Descobri que era com os dois. Sim, o mundo está errado, mas você se fechar ao seu catolicismo também está mal.

Sabemos que a sociedade rejeita a fé católica, ok, guardemos essa informação por um momento. Você se lembra da última vez que alguém te convenceu de alguma ideia? Ou te convenceu de que você estava errado? (Se você não se lembra, isso é um péssimo sinal). Provavelmente ninguém te convenceu de nada aos gritos e, provavelmente também, o convencimento veio de alguma pessoa de sua confiança (dificilmente foi o professor que você não concorda nunca que te convenceu de algo). Pois é, se queremos mostrar às pessoas que o catolicismo não é o que o mundão prega, é muito mais fácil isso ser possível se você se tornar uma pessoa de confiança dos demais.

É aí que entra onde quero chegar: Não adianta ser esquisito, “o” grande católico, se isso faz as pessoas se afastarem de você. Não adianta brigar com o pessoal da sua sala ou do seu trabalho – fazendo você se sentir o grande inquisidor – se isso não muda o coração de ninguém. Aliás, quantas vezes fazemos essas coisas apenas por orgulho próprio? Por medo de pecar por omissão, quando, na verdade, estamos pecando pela acídia? Acídia de apenas falar, falar, falar, sem refletir sobre a melhor estratégia de arrebanhar pessoas e sem o principal ingrediente de uma conversão: a oração.

Muitas vezes achamos que podemos converter as pessoas por nossas próprias mãos. Achamos que seremos nós, os bons, os cruzados do século XXI, a transformar todos ao nosso redor. Fala sério! Você já se olhou no espelho? Não sabe que somos insignificantes sem Deus? Se tem alguma coisa realmente boa que podemos fazer por alguém é rezar por essa pessoa; oferecer sacrifícios por ela. “Ah, mas eu não devo falar nada, dar um bom conselho?”. Ué, reze primeiro. Ofereça um jejum, uma mortificação. Faça isso por muito tempo, dias, semanas, meses. Se Deus quiser te inspirar a ser instrumento e falar algo de bom, ou fazer algo de bom, Ele vai fazer isso, mas antes de tudo, REZE!

Gradualmente eu fui mudando. Deixei de postar mil coisas de catolicismo no facebook, deixei de postar mil links de textos conservadores, passei a sair mais, me envolver com os assuntos das pessoas (sempre há algum assunto em comum, mesmo que trivial, entre você e os outros), parar de brigar e parar de dar conselho não solicitado. Quanta mudança isso gerou! Ainda está difícil perante alguns tirar a imagem mofada de “bitolada”, mas já é possível notar que conquistei a confiança de muita gente não-católica. O que eu faço para evangelizar essas pessoas? Eu rezo por elas. Em alguns momentos, no meio de conversas bobas, eu dou bons conselhos, nada confessional, isto é, nada explicitamente católico. É aí que está a graça. Se falamos explicitamente do catolicismo, muitos já criam um bloqueio. Todos sabemos, porém, que tudo o que a Igreja pede tem um fundamento. É possível, pois, dar bons conselhos sem se remeter à Igreja. Se você só sabe dizer que uma coisa é errada porque é pecado, questione-se: Por que é pecado? O que torna isso errado? Certamente você irá encontrar algumas pistas que fundamentam a concepção de um ato lícito e ilícito.

Algo que tenho percebido é que muitas vezes nós procuramos falar muito da fé porque nossa vida interior – o que realmente importa e o que era para estar bem – está mal. Falar de Deus se torna uma maneira de amenizar a nossa falta para com Deus. Será que não é melhor nós nos aproximarmos mais do Senhor antes de querermos que outros se aproximem?

Tenha misericórdia com os outros. Cada um tem uma história de vida, geralmente marcada por sofrimentos e circunstâncias que desconhecemos. Se você estivesse no lugar dessa pessoa, será que você não estaria mais perdido que ela?

Por fim, eu sei que esse modo de ser católico – de ser como o sal, que passa despercebido pela comida, mas é o que dá sabor – pode funcionar para alguns e para outros não. Somos diferentes, singulares, cada um tem sua vocação e Deus tem um plano para cada um. Que possamos servi-Lo de acordo com a vontade Dele para nossas vidas! Nossa Senhora, Rainha dos Apóstolos, rogai por nós!

“E depois, quem foi que disse que, para falar de Cristo, para difundir a sua doutrina, é preciso fazer coisas esquisitas, estranhas? Faze a tua vida normal; trabalha onde estás, procurando cumprir os deveres do teu estado, acabar bem as tarefas da tua profissão ou do teu ofício, superando-te, melhorando dia a dia. Sê leal, compreensivo com os outros e exigente contigo mesmo. Sê mortificado e alegre. Esse será o teu apostolado. E sem saberes por quê, dada a tua pobre miséria, os que te rodeiam virão ter contigo e, numa conversa natural, simples - à saída do trabalho, numa reunião familiar, no ônibus, ao dar um passeio, em qualquer parte -, falareis de inquietações que existem na alma de todos, embora às vezes alguns não as queiram reconhecer: irão entendendo-as melhor quando começarem a procurar Deus a sério. Pede a Maria, Regina apostolorum, Rainha dos Apóstolos, que te decidas a participar nas ânsias desementeira e de pesca que palpitam no Coração do seu Filho. Eu te asseguro que, se começares, verás a barca repleta, como os pescadores da Galiléia. E Cristo na margem, à tua espera. Porque a pesca é dEle.”

(Amigos de Deus, S. Josemaria Escrivá, ponto 273, disponível em: http://www.escrivaworks.org.br/book/amigos_de_deus-indice.htm)

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