O medo de construir uma família



Vivemos tempos difíceis, onde se é preferível gastar-se na infelicidade da cultura do provisório do que lançar-se na beleza do para sempre da cultura do encontro e em seus compromissos definitivos. É o plano de carreira, o acúmulo de bens, a não tolerância com as limitações do outro, a indisponibilidade para pensar a vida afetiva... são inúmeras as causas que fazem com que cada vez mais os jovens adiem a realização vocacional, aqui especificamente o plano do matrimônio. Papa Francisco na Exortação Apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia aponta diversas raízes para este mal do adiamento do para sempre: uns cultivados na cultura materialista, no comodismo das situações e relações não foram capazes de amadurecer, não se fizeram disponíveis para ir de encontro ao outro, descobri-lo, conhecê-lo e também deixar-se conhecer, para juntos serem uma comunhão de amor, uma manifestação do amor do próprio Deus. Na única vida que temos é preciso progredir para alcançar o projeto de felicidade que Deus tem para cada um de nós.

"É compreensível que, nas famílias, haja muitas dificuldades, quando um dos seus membros não amadureceu a sua maneira de relacionar-se, porque não curou feridas de alguma etapa da sua vida. A própria infância e a própria adolescência mal vividas são terreno fértil para crises pessoais que acabam por afetar o matrimônio. Se todos fossem pessoas que amadureceram normalmente, as crises seriam menos frequentes e menos dolorosas. A verdade, porém, é que às vezes as pessoas precisam realizar aos quarenta anos um amadurecimento atrasado que deveria ter sido alcançado no fim da adolescência. Às vezes ama-se com um amor egocêntrico próprio da criança, fixado em uma etapa onde a realidade é distorcida e se vive o capricho de que tudo deva girar à volta do próprio eu. É um amor insaciável, que grita e chora quando não obtém o que deseja. Outras vezes ama-se com um amor fixado na fase da adolescência, caracterizado pelo confronto, a crítica ácida, o hábito de culpar os outros, a lógica do sentimento e da fantasia, onde os outros devem preencher os nossos vazios ou apoiar os nossos caprichos". (Amoris Laetitia, n.º 239)

Há aqueles que por não terem experimentado do amor conjugal de seus pais sentem-se incapazes de construir uma história diferente. É uma marca, uma ferida que não pode perpetuar na história. É preciso abrir-se para a cura, pois uma ferida relacionada ao campo familiar sempre evolui para uma chaga no coração do mundo quando não se permite curar. Ora, a fortaleza proveniente do Espírito faz-nos protagonistas de uma nova história quando nos decidimos por construí-la. Papa Francisco nos exorta a superarmos nossas fragilidades para avançar nos projetos de Deus, e assim construir uma história de amor.

"Muitos terminam a sua infância sem nunca terem se sentido amados incondicionalmente, e isto compromete a sua capacidade de confiar e entregar-se. Uma relação mal vivida com os seus pais e irmãos, que nunca foi curada, reaparece e danifica a vida conjugal. Então é preciso fazer um percurso de libertação, que nunca se enfrentou. Quando a relação entre cônjuges não funciona bem, antes de tomar decisões importantes, convém assegurar-se de que cada um tenha feito este caminho de cura da própria história. Isto exige que se reconheça a necessidade de ser curado, que se peça com insistência a graça de perdoar e perdoar-se, que se aceite ajuda, se procurem motivações positivas e se tente sempre de novo. Cada um deve ser muito sincero consigo mesmo, para reconhecer que o seu modo de viver o amor tem estas imaturidades. Por mais evidente que possa parecer que toda a culpa seja do outro, nunca é possível superar uma crise esperando que apenas o outro mude. É preciso também questionar a si mesmo sobre as coisas que poderia pessoalmente amadurecer ou curar para favorecer a superação do conflito". (Amoris Laetitia, n.º 240)

Torna-se um desafio ser acessível e disposto à prontidão para amar o outro em sua história e limitações em um mundo em que os avanços parecem impor uma ditadura, diminuindo assim o valor do sacramento do matrimônio e todo o seu percurso. Desafie-se, não tenha medo!

São João Paulo II, rogai por nós!

Por GC Bruno Lucena, FSVA

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