“O Deus que me chama é Amor”



Com esta curta, porém, profunda frase de São Luís Gonzaga, a quem tenho um especial carinho e devoção, gostaria de começar essa pequena reflexão sobre o tema “vocação”, aproveitando o mês de agosto, em que a Igreja no Brasil tematizou como mês vocacional.

Vocação é um termo derivado do verbo no latim “vocare” que significa “chamar”. A própria etimologia desta palavra nos norteia sobre o mistério contido neste dom do Amor de Deus, porque este chamado para nós crentes não é algo simplório, pois qualquer pessoa pode chamar alguém, mas um Dom, porque é o Próprio Deus que nos chama, “[...] e chamou a si os que ele queria” (Mc 3, 13), porém aqui deve surgir em nossos corações inquietos uma pergunta necessária e fundamental: para que Deus nos chamou? E desejo que esta pergunta seja a porta de entrada para nossa reflexão.

O homem sempre buscou o sentido da vida. Em toda a história da humanidade, as questões existenciais sempre foram as suas maiores inquietações: Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? Desta maneira podemos dizer que todo homem busca dar razões a sua existência. Nós cristãos, encontramos o sentido da nossa vida em Deus: “Eu sou, pela graça batismal, filho de Deus, eu vim do coração d’Ele, pois Ele sonhou comigo, e vou um dia estar com Ele”. Assim compreendemos que não estamos neste mundo “à toa”.

Entretanto, temos experimentado em nossos tempos uma verdadeira falta de sentido, desejamos ser felizes, queremos nos realizar na vida. E estes sentimentos são lícitos, Deus também deseja que sejamos felizes, sejamos homens e mulheres realizados, e por isto Ele nos vocacionou, sussurrou em nossos ouvidos a vocação mais sublime que Ele poderia nos ter dado: o chamado a participar das bem-aventuranças, isto é, da santidade. E somente assim serão realizados os desejos mais intrínsecos dos homens.

Essa vocação é colocada em nosso coração por um movimento de amor, Deus que nos amou, nos criou em seu amor, nos colocou no mundo e nos atraiu para que um dia possamos estar com Ele. Vejam, não parte de nós, mas d’Ele. “Não foram vocês que me escolheram, mas fui eu que escolhi vocês” (Jo 15, 16). Desta maneira podemos então afirmar que a primeira vocação é a da santidade, e assim nos ensina o Catecismo da Igreja Católica: “As bem-aventuranças respondem ao desejo natural de felicidade.

Este desejo é de origem divina: Deus colocou no coração do homem, a fim de atraí-lo a si, pois só Ele pode satisfazê-lo.” (CIC 1718).

Aqui uma segunda pergunta nos inquietará: mas como responder a essa vocação? E mais uma vez Deus nos surpreende, mesmo todos tendo um ponto de chegada, o Céu, Ele nos conduz de forma particular, conhecendo cada um dos seus filhos, “[...] até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão contados [...]” (Lc 12, 7) e como um pai amoroso nos chama por caminhos diferentes, mas todos têm o mesmo fim. É o que veremos a seguir.

A vocação matrimonial é a mãe de todas as outras vocações, pois ao gerar filhos aqui na terra, estão gerando filhos para o céu, nela também podemos ver o reflexo do amor de Cristo pela sua esposa a Igreja, pois como o Cristo que morre pela sua Esposa, o homem também deve se oferecer em sacrifício pela santificação da sua esposa e a esposa a santificação do seu esposo, sendo agora “uma só carne” (Mc 10, 8), devem juntos buscar o céu. Como isso? No dia a dia, no trabalho, no cansaço, no suportar os defeitos um do outro, em entender que o amor não é feito somente de sentimentos, mas de amor provado “[...] o amor é forte como a morte [...]” (Ct 8,6), que são capazes de mesmo quando a chama do amor parece se apagar, deverá encontrar em Deus o ardor verdadeiro. Pois o amor exige compromisso, e que triste vermos tantos casais envolvidos pela mentalidade mundana de que o amor é momento, não exige compromisso, fidelidade etc. A família deve ser sinal para esta humanidade desnorteada, e assim nos ensina o santo Padre: “[...] a família que vive a alegria da fé, comunica-a espontaneamente, é sal da terra e luz do mundo, é fermento para toda a sociedade. (Homilia na Jornada da Família por ocasião do Ano da Fé, Vaticano, 27 de outubro de 2013)

O outro caminho é o da consagração inteira a Deus, no compromisso com os conselhos evangélicos (pobreza, castidade e obediência) e no celibato, “E quem quer que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, ou terra por causa de meu nome, receberá muito mais; e terá a vida eterna.” (Mt 19, 29). Diferente do primeiro caminho, Deus chama alguns homens e mulheres para segui-lo de uma forma radical, entretanto não pensemos em celibato como “não pode se casar”, mas em “oferecimento da vida conjugal por um amor maior”, que é o próprio Deus, a serviço dos irmãos.

E peço permissão para acentuar a vocação sacerdotal, onde o homem é chamado por Deus para ser ipse Christus (o mesmíssimo Cristo), e assim recordo as palavras do Papa Emérito Bento XVI na abertura do Ano Sacerdotal: “Deus é a única riqueza que, de modo definitivo, os homens desejam encontrar num sacerdote”, pois ele é a riqueza do coração de Deus como nos falou São João Maria Vianney, e é verdade, pois o padre escutando da Virgem Maria o conselho “ Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2, 5), deve reclinar a cabeça sobre o peito de Jesus, e ali, com o seu ouvido no peito do mestre aprender os segredos de Deus para ensinar as coisas do Céu.

Peçamos a Santíssima Virgem, Senhora e Rainhas das vocações, pois n’Ela se cumpriu tudo o que o Senhor havia dito (cf, Lc 1, 45), e da sua boca puríssima saiu o “fiat” (faça-se), que é modelo para todos os “faça-se” que nós podemos dar a Deus como resposta. A Mãe soube confiar e se abandonar nas mãos de Deus, se tornando assim a Bem-Aventurada, proclamada por todas as gerações (cf, Lc 1, 50). Sigamos seu modelo vocacional e assim seremos também bem-aventurados na nossa vocação.

Enviado por Sem. Wesley Wendel , Arquidiocese de Aracaju.

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