Eu, a solidão e de repente uma descoberta



Após uma noite de festas e ter dormido até tarde acordei-me vendo diante de mim um inimigo. Maior que o Golias, mais asqueroso que qualquer assassino de sonhos, mais irritante que qualquer barulho na fase ressaca. Não era uma pessoa, não era um bicho, não era um objeto. Era o silêncio.

O silêncio que não era capaz de revelar tudo o que tinha feito na noite anterior foi capaz de ir muito mais além do que costumo revelar sobre mim. O silêncio colocou diante de mim minha história, minhas fragilidades, meus medos e o motivo por deixar-me levar por coisas tão vãs em busca da perfeição em mim e da felicidade que gostaria de alcançar estando com os outros.

Por um segundo fui capaz de mergulhar na minha história e ver o quão vazio me encontrava. Queria conquistar grandes ideais, ser grande... mas infelizmente por ironia das minhas decisões tornei-me o vilão de mim mesmo. Buscava me impor sobre os outros para me sentir amado, me sentir acolhido pela atenção e sentimentos dos outros, mas na verdade deixava-me explorar em cada atitude que tinha. Era o campeonato pra ver quem pegava mais garotas, quem bebia mais, quem zoaria de forma mais drástica o cdf da turma. Em tudo eu queria ser o centro da visibilidade, mas o tenebroso silêncio que estava a me inquietar mostrara-me que nem por mim eu estava sendo visto ou ao menos compreendido. Quem era eu? Por que me confortava dessa forma?

Me sentia afogado em um profundo oceano e nesta tortura queria nadar até a superfície e não mais descobrir a verdade sobre mim. Não consegui. Quanto mais eu queria fugir mais o silêncio me prendia para que eu percorresse os abismos do meu ser. Seria o efeito das drogas antes consumida? Seria o efeito colateral do medicamento usado para demonstrar bom desempenho sexual com as garotas? Estaria eu louco? Seria praga da minha mãe?

Mãe... o que é este ser? Na minha orfandade desde cedo não a encontrava nos momentos mais importantes da minha história. A mulher que me trouxe ao mundo aparentava mais ser uma madrasta dos clássicos literários: era má por ser ausente, por preferir a tudo e a todos do que a mim, em minha inocência, incapacidades e desejos de descobrir o que era a vida. Lembrando dela, imediatamente vem a figura daquele que muitos o enxergam como o herói, como o porto seguro. Estes que na minha concepção vivenciam uma utopia o chamam de pai. Eu o conheço como o homem pagador de contas, o que tenta preencher todas as necessidades com dinheiro. Mísero dinheiro.

Neste momento vi o quão incapacitado eu sou. Incapacitado de amar verdadeiramente por não ter experimentado do mais tenro amor desde o berço. Quando encontrava-me em crises uma empregada via acalentar-me enquanto meus gemidos clamavam por um referencial do qual o meu DNA tinha seus traços. Quão amargo é o gosto destas lembranças.

Fui crescendo, e tais ausências construíram em mim um grande muro. Um muro que me isolava e assim não me permitia para a sadia convivência, para a partilha, para uma nova realidade. Sentia tanta vergonha de mim e ao querer desabafar vi-me sem uma amizade sólida em que pudesse descarregar o meu pior na esperança de ser ajudado.

Não queria mais estar em meio aquele silêncio que me paralisava. Não via necessidade de estar revirando um passado se hoje eu era um jovem que muitos queria ser: tinha carro, roupas da moda, tinha o dinheiro das festas, pegava as mais belas garotas... por que eu tinha que revirar o museu da minha história e ser torturado de forma tão cruel?

Mal sabia eu que estava a viver em um grande abismo. Quanto mais buscava nas coisas exteriores, mais afundava em mim mesmo. Afundava-me na minha afetividade que se destruía, na sexualidade que se corrompia, no Amor que já não acreditava.

[...]

De repente, o silêncio se fazia luz, se fazia estrada que apontava para a Cruz que se escondia na bagunça do meu quarto que com certeza era muito menor que a bagunça interior que havia em mim. Foi estranho. A dor que havia em mim por ter retomado difíceis aspectos da minha vida sumiram quando vi aqueles pregos enormes naquele homem. Seu corpo ensaguentado, sua solidão, seu rosto desfalecido. Que dor! Qual o motivo de tamanho sofrimento? Na verdade eu sabia, mas não queria admitir. Tinha aprendido na catequese.

Não mais me alongando, assumo que não queria admitir pelo simples fato de que era um sentido tão belo e generoso que eu me sentia um nada diante daquele ato heroico, e foi esta lembrança que me trouxe de volta para a realidade. Caí em mim e vim o quanto fui cômodo quando pude ser protagonista da minha história. Jesus Cristo, infinitamente maior que eu era a resposta das minhas dúvidas, o rumo que eu precisava tomar para encontrar a felicidade dentro de mim... o modelo a ser imitado para alcançar os grandes ideais tão almejados que um dia foram sufocados.

Hoje eu posso dizer: sou verdadeiramente feliz. Jesus foi capaz de passar pela Cruz e renascer em meu coração. Nele não há utopias: há uma realidade concreta que ao ser abraçada não se fecha em si mesmo, mas irradia para a humanidade. Tive um encontro comigo mesmo e ali O descobri. Ó quanto tempo eu perdi longe da Alegria de minha existência.

E você, qual a sua história? Já parou para descobrir o silêncio, encontrar consigo mesmo e de repente dar de cara com um Homem que é capaz de revolucionar a sua história?

Ouse. Experimente!

Por GC Bruno Lucena, FSVA

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