É preciso deixar ir



Eu preciso deixar ir.

A banda mais bonita da cidade tem uma música que diz: “coração não é tão simples quanto pensa, nele cabe o que não cabe na dispensa”. Realmente cabe coisa demais e nessa imensidão vamos guardando de tudo um pouco. Particularmente, sou especialista nisso. Se eu pudesse pegaria tantas coisas e pessoas e as colocaria em potinhos, só para não correr o risco de perder nada. Eu não posso acumular potinhos, mas ainda assim, do meu jeito, guardo o que posso na despensa do meu coração.

Entretanto, na mesma proporção que sou boa em guardar, sou péssima em organizar estas coisas e acaba que tudo se mistura um pouco, amizades, amores, sonhos, decepções... Imersa nessa bagunça, nem me dou conta do quanto estou cheia, quase não há espaço para mais nada. E isto pesa, e reflete diretamente nas minhas ações, confesso que volta e meia preciso parar, seja para trocar de lado o peso das prateleiras ou pegar algo que andou caindo.

Um dia desses, aconteceram algumas coisas e coloquei tudo ali dentro do meu coração... Resultado, várias prateleiras caíram e eu não consegui consertá-las, se quer tive forças para recolher os cacos. Alegrias, tristezas, emoções, tudo misturado ali e eu só me perguntava “por que comigo?”. Doeu ver coisas que tinha guardado com tanto carinho misturadas a outras que estavam acumuladas simplesmente por rancor, egoísmo... Aquilo me irritou e me machucou de uma forma que não sei explicar. Mas eu escolhi deixar tudo como estava, acho que no fundo é sempre mais fácil do que recolher a bagunça e mudar.

Eu continuei seguindo, mas havia algo estranho, um peso. Tudo ao meu redor parecia dar errado, o menor dos contratempos era visto como um problemão. Nem mesmo as coisas boas que aconteciam eram apreciadas, eu estava ocupada demais tentando carregar tudo que havia acumulado.

Eu sabia o que precisava fazer, mas o vicio de acumular coisas dentro de mim era mais forte, mesmo sabendo o quanto aquilo me machucava. Lembro de ler em algum lugar algo que dizia assim: “deixar ir, não significa desistir, mas sim aceitar que há coisas que não podem ser”. E foi depois disso que de certa forma eu realmente comecei a pensar naquelas coisas que estavam nas prateleiras, nas outras que tinham caído. Isso me entristeceu, eu comecei a me dar conta do que estava fazendo comigo.

Eu iniciei o texto dizendo “eu preciso deixar ir” e esse é o meu conselho para mim mesma e para você caro leitor, que talvez tenha se identificado com algo que compartilhei aqui. Eu escrevo isso para mim, para você, para refletir.

Estamos quase no finalzinho da quaresma, tempo de mudança, de silêncio, de olhar para dentro. Tempo propício a deixar ir tudo aquilo que tem pesado, que tem nos afastado de viver bem, de caminhar com o coração cheio, mas cheio de amor, de empatia, de cuidado. As vezes achamos que o mundo lá fora é responsável por tudo de ruim que nos acontece, mas você já parou para olhar seu coração e ver se ele não está cheio daquilo que não te faz bem?

Procure a confissão, reconcilie-se com o seu coração, reconcilie-se com Deus. E saiba que você não está sozinho nessa caminhada, eu também estou aqui tentando e juntos temos Deus, que está sempre buscando nos mostrar uma melhor opção para aquilo que guardamos no nosso coração, só precisamos abrir espaço para o que realmente importa.

Salve Maria!

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Imagem: Pxhere


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